E lá se vão 21 anos... e eu ainda me achando com 21 anos...
sexta-feira, 1 de maio de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Previsões 2015
Em primeiro lugar, as declarações de sempre: Este post é declaradamente de humor, não deve ser levado a sério. Não reflete as opiniões do autor nem do blog. Pedimos que os terroristas fundamentalistas não ataquem a redação deste blog, situada à Rua dos Bobos, número zero.
Feito isso, sem introdução, porque não tenho inspiração. Como sempre, vai sair atrasado, e a brincadeira sobre o cancelamento da F-Indy em março não pude fazer. Mas era previsão mais que óbvia, assim como a destruição do autódromo. Enfim, segue:
Janeiro
Ponte Preta disputa a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Não vence. Amigos, depois que a Ponte perdeu a Sulamericana, e o Ituano ganhou o Paulista, a sorte dos pequenos esgotou de vez. Acho que só em 2078, ou mais. No Dakar, nenhum brasileiro vai ganhar também. Gilberto Kassab vai mandar extender a lei da cidade limpa para todo o Brasil. Não vai pra frente porque ele usou o carimbo de prefeito de São Paulo na hora de mandar o projeto de lei. O autódromo em Deodoro não vai ficar pronto. Bernie anuncia que cada piloto só poderá usar a zebra 2 vezes em toda a corrida, senão é drive through. Vai ter tempestade de verão alagando São Paulo no final do mês.
Fevereiro
Vai ter pancadaria no final de uma corrida da Nascar. Isso porque Kyle Busch vai acusar Brian Keselowski de ter colocado tubaína no leite dele, antes da corrida. McLaren e Honda são proibidas de atualizarem seu motor,segundo decisão do Technical Working Group. O AS, da Espanha, lembra que o TWG é formado por membros da Red Bull, Lotus, Ferrari e Mercedes. Suspeito, portanto. Novo ministro dos Esportes é flagrado tentando jogar tênis no saibro usando uma raquete de ping-pong. Vai ter muito trânsito na Anchieta na quarta-feira de cinzas, portanto, evitem a região de São Bernardo no final do dia. Gabriel medina é manchete nos maiores sites de notícias pois é flagrado futucando o nariz no Tahiti.
Março
No final do mês, o campeonato Brasileiro de Rally Cross Country vai ter um líder. Marco Polo del Nero vai aparecer de mão dada com a capa da Sexy de fevereiro. As chuvas de março fecham o verão, mas não as contas da Sabesp. Os reservatórios não enchem como o esperado. No Rio de Janeiro, um motorista de ônibus vai perder o controle do carro e bater. BBB termina e ninguém se dá conta nem que começou... Ah, é, o blog é sobre automobilismo, então vamos voltar ao assunto nas previsões. O campeonato começa em Melbourne, com vitória de... Jenson Button! Em segundo, 45 segundos atrás, fica... Fernando Alonso! Em terceiro, uma volta atrás, Felipe. Massa. Nasr vai abandonar. Alonso reclama que poderia ter tido chances caso a Mclaren tivesse deixado atacar Button nas últimas 3 voltas, quando a diferença era só de 42 segundos. A imprensa espanhola, sempre imparcial, coloca Ron Dennis como o anticristo novamente, lembrando 2007. Na Malásia, a corrida vai ser quente pra caramba, vai comer pneu, mas Jenson vence de novo, seguido de Alonso. Dessa vez o espanhol dominava a corrida, mas o pneu acabou e ele rodou a 6 voltas do fim, não dá pra recuperar. Imprensa espanhola declara que a Pirelli, italiana, ficou magoada por Fernando ter saído da Ferrari, e forneceu propositalmente pneus ruins para Alonso. Pirelli nem comenta. Baja vai ser vencido por uma equipe brasileira.
Abril
Tem GP na China e no Bahrein. Vitórias de Alonso e Button. Autosport descobre que o segredo da McLaren pode ser aqueles fios laranja que saem da bateria indo direto para o turbo. Williams bate consistentemente a Mercedes. No último dia do mês, Todt e Bernie aparecem em Yeongham, dando com o portão fechado e o faxineiro não entendendo nada. O baixinho da FIA olha pro baixinho da FOM, e diz: "Pô, mas você não me falou que todo mundo estaria aqui?" O britânico devolve pro francês: "mas era pra você ter avisado!", e puxa da cartola uma multa para a FIA. A Whitbread vai passar por aqui e só vai sair uma notinha no Esporte Espetacular, com matéria do Clayton Conservani, antes do GP do Bahrein. No Bahrein, aliás, Felipe Nasr erra a freada e acerta as duas Force India na largada. Vijay Mallya pede a suspensão da superlicença do garoto. Galvão fica nervoso: "onde já se viu? As Force India claramente frearam para fazer a curva, o Nasr não teve culpa. Não se pode frear numa entrada de curva!" O GP do Bahrein é o primeiro do ano a passar na Globo em VT. Ministro dos esportes é flagrado tentando fazer remo usando aquelas mesmas raquetes de ping pong.
Maio
Confirmado que o segredo da Honda é o escoamento hipersônico induzido por corrente alternada dentro da turbina. Equipes tentam provar que ilegal. Nairo Quintana não vai defender o título no Giro. José Sarney, no ostracismo, (o que é o pior castigo para quem viveu a vida toda no poder) tenta entrar em contato com Bernie Ecclestone para entender como funciona a F1. Bernie é Bernie, mas Sarney é Sarney, então o inglês manda dizer que não está. Bernie acha melhor não se meter com gente da pesada. Kanaan vence novamente a Indy 500, com Hélio Castro Neves abandonando no começo. Globo exibe no Esporte Espetacular matéria especial de Régis Rösing, com Adriano Imperador, mostrando o drama do jogador, como ele está tentando se recuperar. No final da reportagem, música triste, close no rosto, olhos mareados, e a declaração: "Eu mudei, agora é sério. Só quero uma chance para mostrar o meu talento".
Junho
Vettel, antes da classificação na Inglaterra, encontra uma etiquetinha no pedal do freio, dizendo "Ausziehen vor fahren. M.S." Era um limitador do pedal do freio, mas o Alonso não entendeu o que era, não sabe alemão. Vettel tirou a peça, começou a virar tempo na Ferrari, que saltou de oitavo para segundo no grid no Canadá, atrás de Button e na frente de Alonso. Imprensa espanhola reclama que o carro está dopado, e pede que a FIA recolha uma amostra da água do radiador para levar para a exame. Button vence em Montreal de ponta a ponta, lidera folgado o campeonato, e todo mundo faz referência a 2009. Mercedes consegue uma brecha no regulamento, e coloca escoamento hipersônico, mas na entrada da turbina, na Áustria. O campeonato embola, e a imprensa espanhola fica indgnada porque Button tem preferência, apesar de estar a 34 pontos na frente de Alonso. A corrida de Le Mans terá 24 horas de duração, e vai ser vencida por um protótipo. Botafogo contrata Adriano Imperador pra usar na Série B. Ele aparece no primeiro treino, aquela festa. Atrasa no segundo dia, nem aparece no terceiro. Ah, e Di Grassi, a muito custo depois de uma reação impressionante de Algersuari, vence o campeonato da Fórmula E em Londres. Imprensa espanhola reclama que a bateria do brasileiro é da Dell, e de todos os outros é Chianglong.
Julho
"Superação é o que define Robert Kubica." É a manchete de metade dos sites de automobilismo em 05 de julho. Ele vence a sua primeira prova no WRC, depois de ter batido nas 6 etapas anteriores, todas nas últimas especiais. E Kubica vence logo na Polônia. Imprensa espanhola declara que Kubica será o próximo companheiro de Alonso em 2016. Marco Polo del Nero é flagrado saindo de restaurante com a capa da Sexy de junho. Red Bull é flagrada testando em Spielberg, e Christian Horner alega estarem gravando o novo clipe das Spice Girls. Horner virou empresário do retorno das Spice. Um enxame de abelhas vai atacar um leão na Savana africana. Ninguém vai ver isso, então não vai ter como provar essa previsão. Gilberto Kassab, que ainda não sabe que não é prefeito de São Paulo, lança um projeto de lei que proíbe as pessoas de cuspirem, para evitar o disperdício de água. Marco Polo del Nero é visto saindo com namorada nova de restaurante, é a capa da Hustler de junho. Ministro dos esportes visita o mal acabado centro de treinamento de esgrima em Deodoro e tenta usar aquela mesma raquete de ping pong como sabre.
Agosto
CT vai tirar férias no começo do mês. Sabesp finalmente descobre porque os resevatórios não encheram. Lembram daquele fosso que o Eike Batista fez dentro do lago de Interlagos? Foi nas previsões de 2012, acho. Pois é, deu um "pobreminha", o poço que ele fez lá fraturou a rocha, e a água estava escoando toda para Bertioga. O Rally dos Sertões não vai passar por nenhum estado da Região Sul este ano. Kimi é flagrado nas ruas de Porto Alegre correndo pelado. E bêbado. Na coletiva do GP da Bélgica, disse estar aderindo a uma moda local. Um competidor de algum esporte olímpico, tipo tae-kwon-do, boxe, ou canoagem, se sagra campeão mundial. A imprensa brasileira celebra a nova surpresa. São tão entendidos de esporte que não sabiam que essa pessoa já era vice-campeã no ano anterior, e está liderando o ranking em 2015. Ministério Público decide investigar as obras de reforma do Autódromo de Interlagos. Obras são paralisadas, para pânico do Thamas Rohoni (e do Rafa também).
Setembro
SporTV desiste de passar o GP da Itália ao vivo. Prefere transmitir um jogo da terceira divisão do campeonato francês, ao vivo. No SporTV 2, Atalanta e Chievo, ao vivo também. No SporTV 3, um VT do amistoso do Brasil contra a Costa Rica, sub 17. É o canal dos esportes, a um ano da olimpíada em casa. O país do 7 a 1 trabalha firme para continuar sendo o país do 7 a 1 em todos os esportes. Falando em 7, pouca gente vai trabalhar no dia 7. George Bush, o filho, tenta voltar ao governo americano, dizendo ter provas que Saddam Hussein e Bin Laden estão vivos, e escondidos na faixa de Gaza. E mostra uma foto dos dois juntos a Michael Jackson como prova. Ministro dos esportes vai no churrasco de amigos numa chácara, e finalmente entende como se usa aquela raquete de ping-pong. Ah, e tem F1 também. FIA libera para todo mundo o capacitor que produz o fluxo hipersônico, mas não adianta muita coisa pra quase todo mundo. Pra Ferrari e Sauber, são liberados dois capacitores, e os carros de Maranello começam a andar na frente. Vettel, que vinha batendo na trave faz tempo, vence em Cingapura. Ericsson é demitido e entra no lugar Kovalainen. Nasr faz o seu primeiro ponto. Bottas bate consistentemente Massa, e Galvão (a Globo vai transmitir Cingapura ao vivo), fala que Felipe Massa precisa, mais do que nunca, de um bom resultado para continuar na Fórmula 1 em 2016. Vettel vence de novo em Suzuka, e passa Alonso na classificação. Somente Reginaldo Leme vai lembrar do acidente do Bianchi,e fazer um comentário na Globo. Galvão vai concordar, e falar que é um absurdo terem culpado o piloto, que cartola não sabe o que se passa dentro de um carro de corrida. E em seguida mete o pau no Hulkenberg por ter fechado o Nasr, numa manobra normal de corrida, culpando o alemão. Obras em Interlagos seguem paradas.
Outubro
Outubro
Uma equipe de Madagascar vai vencer o FSAE Brasil (essa competição tá tão fácil que qualquer equipe decente com pneu velho ganha...) Será anunciado que as 500 milhas de Indianápolis de 2018 serão disputados no terceiro domingo de maio, e no circuito oval de 2,5 milhas, se não chover. O GP de Mônaco de 2018 será disputado no mesmo dia, em circuito de rua, com chuva ou sol. (Ó, já tô fazendo previsão pra mais longe ainda). Fórmula E anuncia que o Fan Boost vai ser um pouco diferente. O piloto que tiver o #nome mais twittado, larga meia volta na frente dos outros. Twitter cobra uma taxa do promotor para poder atender a demanda extra, mas a empresa recebe uma ligação de Bernie Ecclestone e fica tudo certo. Agora o Twitter será patrocinador oficial da Fórmula E. Valentino vence a segunda seguida na MotoGP, mas não é suficiente para começar uma reação no campeonato. Marc Marquez é campeão novamente em Motegi, ao chegar em segundo. Imprensa espanhola somente comemora. Ameaça de bomba ucraniana em Sochi faz Putin cancelar a sua ida ao GP da Rússia, com vitória de Hamilton. Com o abandono de Button em Austin, o campeonato embola. Circuito das Américas mais vazio do que em anos anteriores. Treinos no Hermanos Rodriguez no final do mês, e todo mundo vai falar que não é a mesma pista, sem a peraltada. Que mataram a essência do circuito, em nome do comercialismo de se colocar a pista no estádio de beisebol. Mas ninguém vai fazer uma análise crítica e pensar que com a exigência de um carro de F1 atual, que precisa de um asfalto tão liso quanto lençol de suíte presidencial do Hilton, e com o downforce gerado por esses carros, a Peraltada seria somente uma curva a mais, pé embaixo. O que fazia aquela curva ser respeitada era a alíviada para poder entrar, e os dois saltos grandes no meio dela.
Novembro
O presidente do TCU recebe um telefonema de Bernie Ecclestone, e as obras do autódromo são retomadas. Até o pessoal que faz a cenografia da Globo é chamado para fazer as reformas, que vão dia e noite. Mesmo assim, não é certeza da realização da corrida. Cogita-se transferir a prova pra Brasília... Não, não vai dar. Jacarepaguá... Também não. Acabam pensando em Termas do Rio Hondo, na Argentina, mas desistem. Não tem Café Photo por lá. No GP do México, um monte de mexicano vai ver vitória de Alonso, que se aproxima de Vettel na classificação. Imaginem as manchetes dos jornais espanhóis, com Vettel a 8 pontos atrás de Button, dois na frente de Alonso, e a perspectiva de cancelar o GP Brasil (corrida a menos pra recuperar)? Jornalistas espanhóis voam direto do México para São Paulo e ajudam nas obras de Interlagos. Barrichello lança no twitter uma campanha para reativar a Caterham, e enfim fazer a sua despedida em Interlagos. Consegue 2% do necessário. O GP Brasil acontece, com Kayky Britto terminando de pintar a zebra do Laranjinha minutos antes do primeiro treino começar na sexta. O fato é manchete no Jornal Hoje, Jornal Nacional, Jornal da Globo e o Bom dia Brasil da segunda-feira. E no Globo Repórter de sexta. Galvão exalta o trabalho em equipe do povo brasileiro, inclusive da vó do Barrichello, que forneceu café nas madrugadas insones de obras. A verdade é que a coitada não conseguia dormir com o barulho. Mas enfim, Button vence fácil, depois de um bololô na largada envolvendo Nico, Vettel, e Alonso. Imprensa espanhola, com calo na mão depois de tanto bater laje, nem reclama muito. Querem somente voltar pra casa e dormir. Button Campeão, o que faz da corrida de Abu Dhabi tão inútil e desinteressante quanto ela é. Nem vale a pena gastar a bola de cristal por ela.
Dezembro
Não vai rolar muita coisa. Massa é demitido da Williams, e não consegue ficar na F1. Num anúncio lacônico no Twitter, agradece a todos, vai tirar um ano para descansar, e tentar novos caminhos. Recebe proposta da Indy, mas acaba indo pra Fórmula E, no lugar do Di Grassi, que vai ficar de piloto oficial da Audi para WEC e DTM. Mas todo mundo da imprensa, espanhola inclusive, vai falar que se vai embora o último dos pilotos da era romântica da F1. Barrichello não conseguiu andar de Caterham, nem se candidata a voltar para Grove, mas é bicampeão na stock, e de brinde leva as 500 milhas da Granja. Felipe Nasr assume o lugar de Massa. Bernie anuncia que em 2016, cada piltoto poderá disputar somente 4 corridas na chuva. Pena de 10 posições se correr a quinta corrida na chuva, e 20 posições se largar na sexta corrida molhada. O que não faz muito sentido, porque o campeonato todo foi disputado em 2015 por 16 carros, e deve continuar assim em 2016. Bernie anuncia também que José Sarney será seu substituto na FOM, quando ele morrer, e que pra facilitar para o nosso imortal, toda a F1 teré que falar português. Bernie é esperto, mas Sarney é mais... Se cuida, Bernie!
Não vai rolar muita coisa. Massa é demitido da Williams, e não consegue ficar na F1. Num anúncio lacônico no Twitter, agradece a todos, vai tirar um ano para descansar, e tentar novos caminhos. Recebe proposta da Indy, mas acaba indo pra Fórmula E, no lugar do Di Grassi, que vai ficar de piloto oficial da Audi para WEC e DTM. Mas todo mundo da imprensa, espanhola inclusive, vai falar que se vai embora o último dos pilotos da era romântica da F1. Barrichello não conseguiu andar de Caterham, nem se candidata a voltar para Grove, mas é bicampeão na stock, e de brinde leva as 500 milhas da Granja. Felipe Nasr assume o lugar de Massa. Bernie anuncia que em 2016, cada piltoto poderá disputar somente 4 corridas na chuva. Pena de 10 posições se correr a quinta corrida na chuva, e 20 posições se largar na sexta corrida molhada. O que não faz muito sentido, porque o campeonato todo foi disputado em 2015 por 16 carros, e deve continuar assim em 2016. Bernie anuncia também que José Sarney será seu substituto na FOM, quando ele morrer, e que pra facilitar para o nosso imortal, toda a F1 teré que falar português. Bernie é esperto, mas Sarney é mais... Se cuida, Bernie!
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Feliz 2015!!!
Mais óbvio do que o post de Feliz Ano Novo no Blog do Zé Ruela, é a maldita notícia as 11 hrs da manhã de que na Austrália já é ano novo. Pra não dizer que estou inventando, vai a página inteira do site.
Por muitos e muitos motivos, esse blog anda cada vez mais devagar. Já viveu seus dias de Ferrari, Mercedes. Hoje tá pior que Caterham e Marussia. Mas diferente delas, vamos sobreviver, até porque não precisamos de nem um centavo pra isso. Foram apenas 35 posts contra 100 no ano passado. Mas temos que acreditar, milagres acontecem... até o Gonzo tem whastapp agora...
Um abraço a todos, boas vindas aos pequenos futuros editores do blog - a nova geração tá chegando em peso!! E um abraço especial ao Linus, o mais assíduo de todos os leitores desse blog.
Por muitos e muitos motivos, esse blog anda cada vez mais devagar. Já viveu seus dias de Ferrari, Mercedes. Hoje tá pior que Caterham e Marussia. Mas diferente delas, vamos sobreviver, até porque não precisamos de nem um centavo pra isso. Foram apenas 35 posts contra 100 no ano passado. Mas temos que acreditar, milagres acontecem... até o Gonzo tem whastapp agora...
Um abraço a todos, boas vindas aos pequenos futuros editores do blog - a nova geração tá chegando em peso!! E um abraço especial ao Linus, o mais assíduo de todos os leitores desse blog.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Sons de Interlagos
Gastei mais de 3 horas para chegar do autódromo em casa hoje a tarde. Não posso reclamar muito, afinal pobre Gustavo, pegou o mesmo perrengue e depois iria até Indaiatuba. O tempo no trânsito me permitiu pensar em várias coisas interessantes que vi nessa tarde pra lá de quente em Interlagos. Santo seja o setor F e sua cobertura que vão me proteger do sol amanhã e depois porque já torrei na sexta-feira.
Pra começar, o som é realmente chocante. Ou a falta dele. Quem conheceu o som da F-1 nos últimos anos vai sentir falta, vai ficar arrasado, xingando todos que decidiram por mudar o regulamento. Vimos parte do segundo treino no S do Senna, quando os carros aceleram tudo com o motor virado para nós. O barulho não incomoda, é triste sim, vc fica esperando aquela gritaria mas vem um som grave, embrulhado, misturado com o chiado da turbina. Sem falar o tanto de pneu cantando que se ouve no Laranjinha. Chega a dar dó do vendedor de protetor auricular, vai encalhar tudo. Vi muita gente reclamando, lamentando, puto da vida.
Mas vi também muita gente empolgada, desesperada para filmar ou tirar foto quando os primeiros carros entraram na pista. Pessoas que nunca tinham visto um F-1 na vida e estavam deslumbrados com aqueles carros. Ou seja, é lógico que voltar ao som antigo vai agradar muito os fãs, mas se esse for o som da F-1 daqui pra frente, daqui 10 anos 90% das pessoas que forem ao autódromo só vão conhecer esse som. Os outros 10% de fanáticos que conheceram o som do passado estarão reclamando e propagando a máxima de que no passado era melhor. É um baque sim e deveriam ter considerado isso antes de mudar tudo. Mas não acho que isso seja um fator que vai afastar o público dos autódromos.
O esquema da SAE foi show como sempre. Algumas fotinhas da brincadeira para quem não foi.
Na pista um massacre das Mercedes, o que abre uma perspectiva bem ruim para a disputa da vitória no domingo. É fato: Hamilton só perde o campeonato para ele porque Rosberg não reverte a coisa sozinho e o resto da turma está muito longe. Se não chover, se o carro de Hamilton não quebrar ou se ele não acionar o botão do neutro como em 2007, o inglês vai comboiar o alemão no Brasil e em Abu Dahbi e pronto. Contamos com os alucionados do terceiro ao décimo oitavo para proporcionar a diversão.
Por fim, Interlagos está bonito por dentro mas continua a mesma porcaria do lado de fora. Dentro vai se modernizando lentamente, a parte da pista está excelente, mas o público precisa de atenção. Será que custa tanto para colocar o setor G e A no mesmo padrão de todas as outras arquibancadas do circuito? O público merecia isso. Mas o maior problema é fora. Um bilhão de guardadores de carro, cambistas, ruas apertadas, ambulantes, ladrões. Tudo no meio de um monte de gente folgada que só pensa em si mesmo. Vou para meu vigésimo quinto GP em Interlagos. Incrível como muita coisa melhorou dentro dos portões, mas do lado de fora parece que estamos em 1990 ainda.
#RonaldofudeuesquemaLotus
CT... conhece? Meio mala.... rs
Pra começar, o som é realmente chocante. Ou a falta dele. Quem conheceu o som da F-1 nos últimos anos vai sentir falta, vai ficar arrasado, xingando todos que decidiram por mudar o regulamento. Vimos parte do segundo treino no S do Senna, quando os carros aceleram tudo com o motor virado para nós. O barulho não incomoda, é triste sim, vc fica esperando aquela gritaria mas vem um som grave, embrulhado, misturado com o chiado da turbina. Sem falar o tanto de pneu cantando que se ouve no Laranjinha. Chega a dar dó do vendedor de protetor auricular, vai encalhar tudo. Vi muita gente reclamando, lamentando, puto da vida.
Mas vi também muita gente empolgada, desesperada para filmar ou tirar foto quando os primeiros carros entraram na pista. Pessoas que nunca tinham visto um F-1 na vida e estavam deslumbrados com aqueles carros. Ou seja, é lógico que voltar ao som antigo vai agradar muito os fãs, mas se esse for o som da F-1 daqui pra frente, daqui 10 anos 90% das pessoas que forem ao autódromo só vão conhecer esse som. Os outros 10% de fanáticos que conheceram o som do passado estarão reclamando e propagando a máxima de que no passado era melhor. É um baque sim e deveriam ter considerado isso antes de mudar tudo. Mas não acho que isso seja um fator que vai afastar o público dos autódromos.
O esquema da SAE foi show como sempre. Algumas fotinhas da brincadeira para quem não foi.
Na pista um massacre das Mercedes, o que abre uma perspectiva bem ruim para a disputa da vitória no domingo. É fato: Hamilton só perde o campeonato para ele porque Rosberg não reverte a coisa sozinho e o resto da turma está muito longe. Se não chover, se o carro de Hamilton não quebrar ou se ele não acionar o botão do neutro como em 2007, o inglês vai comboiar o alemão no Brasil e em Abu Dahbi e pronto. Contamos com os alucionados do terceiro ao décimo oitavo para proporcionar a diversão.
Por fim, Interlagos está bonito por dentro mas continua a mesma porcaria do lado de fora. Dentro vai se modernizando lentamente, a parte da pista está excelente, mas o público precisa de atenção. Será que custa tanto para colocar o setor G e A no mesmo padrão de todas as outras arquibancadas do circuito? O público merecia isso. Mas o maior problema é fora. Um bilhão de guardadores de carro, cambistas, ruas apertadas, ambulantes, ladrões. Tudo no meio de um monte de gente folgada que só pensa em si mesmo. Vou para meu vigésimo quinto GP em Interlagos. Incrível como muita coisa melhorou dentro dos portões, mas do lado de fora parece que estamos em 1990 ainda.
#RonaldofudeuesquemaLotus
CT... conhece? Meio mala.... rs
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
O retorno... longe de ser triunfal
Confesso que perdi um pouco a mão de escrever no blog. Foram meses longe daqui, passando de vez em quando para ver se algum Zé Ruela ainda mantinha a chama acesa... louvado seja Liopordo. Cadê o CT com suas análises técnicas, cadê o Gonzo com as histórias dos mecas... aliás, cadê o Gonzo nesse mundo??? Reconheço que tá cada dia mais difícil dedicar tempo para esse blog. Mas assim como os torcedores da Portuguesa, não vamos desistir!
Como a insônia bateu pesado hoje, resolvi escrever algo. Por total falta de inspiração, pensei numa coisa bem idiota, mas que vai ajudar o sono chegar... resolvi listar todos os pilotos que vi ao vivo nesses 20 e tantos anos de GP Brasil. A fonte será a pouco confiável página do Wikipedia, incluindo pilotos que andaram apenas na sexta quando mencionados. Só exclui celebridades Claudio Langes e Gary Brabham porque não classificaram em 1990 e só assiti a corrida. Vai ter alguma imprecisão lógico, mas e dai? O que vale é relembrar os ícones do automobilismo que vi ao vivo. Vamos lá. Ordem alfabética pra facilitar a conferência no Excel.
Tá ai... 150 pilotos, desde 1990.
Como a insônia bateu pesado hoje, resolvi escrever algo. Por total falta de inspiração, pensei numa coisa bem idiota, mas que vai ajudar o sono chegar... resolvi listar todos os pilotos que vi ao vivo nesses 20 e tantos anos de GP Brasil. A fonte será a pouco confiável página do Wikipedia, incluindo pilotos que andaram apenas na sexta quando mencionados. Só exclui celebridades Claudio Langes e Gary Brabham porque não classificaram em 1990 e só assiti a corrida. Vai ter alguma imprecisão lógico, mas e dai? O que vale é relembrar os ícones do automobilismo que vi ao vivo. Vamos lá. Ordem alfabética pra facilitar a conferência no Excel.
| Adrian Sutil |
| Aguri Suzuki |
| Alain Prost |
| Alessandro Naninni |
| Alessandro Zanardi |
| Alex Caffi |
| Alex Yoong |
| Alexander Wurz |
| Allan McNish |
| Andrea Chiesa |
| Andrea de Cesaris |
| Andrea Montermini |
| Anthony Davidson |
| Antonio Pizzonia |
| Ayrton Senna |
| Bas Leinders |
| Bertrand Gachot |
| Bjorn Wirdhein |
| Bruno Senna |
| Charles Pic |
| Christian Fittipaldi |
| Christian Klien |
| Christijan Albers |
| Cristiano da Matta |
| Damon Hill |
| Daniel Ricciardo |
| David Brabham |
| David Coulthard |
| Derek Warwick |
| Domenico Schiattarella |
| Eddie Irvine |
| Emanuele Pirro |
| Enrique Bernoldi |
| Eric Bernard |
| Eric van de Poele |
| Erik Comas |
| Ernesto Viso |
| Esteban Gutierrez |
| Esteban Tuero |
| Fabrizio Barbazza |
| Felipe Massa |
| Fernando Alonso |
| Franck Montagny |
| Gabriele Tarquini |
| Gaston Mazzacane |
| Gerhard Berger |
| Giancarlo Fisichella |
| Gianmaria Bruni |
| Gianni Morbidelli |
| Giedo van der Garde |
| Giovanna Amati |
| Gregor Foitek |
| Heikki Kovalainen |
| Heinz Harald Frentzen |
| Ivan Capelli |
| Jacques Villeneuve |
| Jaime Alguersuari |
| Jan Charouz |
| Jarno Trulli |
| Jean Alesi |
| Jean Eric Vergne |
| Jenson Button |
| Jerome D`Ambrosio |
| Johnny Herbert |
| Jos Verstappen |
| Juan Pablo Montoya |
| Jules Bianchi |
| Julian Bailey |
| Justin Wilson |
| Jyrki Jarvilehto |
| Kamui Kobayashi |
| Karl Wendlinger |
| Kazuki Nakajima |
| Kimi Raikkonen |
| Lewis Hamilton |
| Luca Badoer |
| Lucas di Grassi |
| Luciano Burti |
| Luiz Razia |
| Marc Gene |
| Mark Blundell |
| Mark Webber |
| Martin Brundle |
| Martin Donnely |
| Mauricio Gugelmin |
| Max Chilton |
| Michael Ammermuller |
| Michael Andretti |
| Michael Schumacher |
| Michele Alboreto |
| Mika Hakkinen |
| Mika Salo |
| Narain Karthikeyan |
| Neel Jani |
| Nelson Piquet |
| Nelson Piquet Jr. |
| Nick Heidfeld |
| Nico Hulkenberg |
| Nico Rosberg |
| Nicola Larini |
| Nigel Mansell |
| Olivier Beretta |
| Olivier Gouillard |
| Olivier Panis |
| Paolo Barila |
| Pastor Maldonado |
| Paul Belmondo |
| Paul di Resta |
| Pedro de la Rosa |
| Pedro Lamy |
| Pedro Paulo Diniz |
| Philippe Aliot |
| Pierluigi Martini |
| Ralf Schumacher |
| Ralph Firman |
| Ricardo Rosset |
| Ricardo Zonta |
| Riccardo Patrese |
| Robert Doornbos |
| Robert Kubica |
| Roberto Moreno |
| Roland Ratzenberger |
| Romain Grosjean |
| Rubens Barrichello |
| Ryan Briscoe |
| Sakon Yamamoto |
| Satoru Nakajima |
| Scott Speed |
| Sebastian Vettel |
| Sebastien Bourdais |
| Sebastien Buemi |
| Sergio Perez |
| Shinji Nakano |
| Stefan Johansson |
| Stefano Modena |
| Stephane Sarrazin |
| Taki Inoue |
| Takuma Sato |
| Tarso Marques |
| Thierry Boutsen |
| Tiago Monteiro |
| Timo Glock |
| Toranosuke Takagi |
| Ukyo Katayama |
| Valtteri Bottas |
| Vincenzo Sospiri |
| Vitaly Petrov |
| Vitantonio Liuzzi |
| Yannick Dalmas |
| Zsolt Baumgartner |
Tá ai... 150 pilotos, desde 1990.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
closed cockpit
Pra tirar a poeira, e fomentar a dicussão....
após o - terrível - acidente do fim de semana, a lamentável notícia do estado do Bianchi, vejo a seguinte manchete no site da BBC:
" F1 should consider enclosed cockpits - Claire Williams "
Não seria a boa e velha falta de foco no solução e foco demais no problema? Afinal, acidentes vão continuar a existir, mas é só usar grua ao invés de trator na pista, ou só usar trator com safety car, sem descaracterizar um formula e transfromá-lo num protótipo!?
após o - terrível - acidente do fim de semana, a lamentável notícia do estado do Bianchi, vejo a seguinte manchete no site da BBC:
" F1 should consider enclosed cockpits - Claire Williams "
Não seria a boa e velha falta de foco no solução e foco demais no problema? Afinal, acidentes vão continuar a existir, mas é só usar grua ao invés de trator na pista, ou só usar trator com safety car, sem descaracterizar um formula e transfromá-lo num protótipo!?
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
fala galvão
E é com satisfação que anuncio, o fim de uma série - não muito longa é verdade - de posts.
O motivo? Tá tudo aqui. E que venha o SporTV, cada vez mais completo, preciso e respeitando a nós, fâs do pináculo do esporte a motor!
O motivo? Tá tudo aqui. E que venha o SporTV, cada vez mais completo, preciso e respeitando a nós, fâs do pináculo do esporte a motor!
domingo, 29 de junho de 2014
Rod End in Bending - Parte 2
No post anterior, eu falei dos problemas em se usar um
terminal rotular em flexão. Mas ainda não dei dicas verdadeiras de solução do
problema. E a coisa boa é que existem várias. Então vamos ver como funciona um
terminal rotular um pouco diferente. Este é visto em quase todas as barras de direção:
Fig 07: Barras de
direção
Isso é usado no mercado. Uai, mas pode? Pode. E qual a
diferença para o outro, que acabamos de ver? Neste caso, a diferença está na
aplicação. Barras de direção trabalham em tração e compressão, a flexão dela é
irrelevante (quem segura a flexão são as rótulas entre as bandejas e os pivôs,
como vimos acima). Pode isso, porque somente temos esforços de tração e
compressão ao longo da rosca, exatamente para isso que ela foi desenhada.
Então se pode usar terminal de direção, vamos a nossa figura
8, que mostra uma solução possível:
Fig. 08: Suspensão
com 3 terminais de direção.
No exemplo acima, temos 3 terminais de direção. Como o
terminal de direção pode ser usado sem restrições, então não tem problema em
fazer assim, certo?
Errado. Se você acha que o desenho acima é certo, então
infelizmente não entendeu nada. Não é o tipo de terminal o problema. É a barra
roscada do próprio terminal trabalhando em flexão que não deve ser usada.
Se você entendeu tudo o que está escrito acima, vai perceber
que o terminal rotular com haste roscada está condenado para esta aplicação.
Mas não está condenado para sempre. Veja um bom uso para ele:
Fig 9: Suspensão tipo
swing axle, um bom uso de terminal rotular de esfera
A suspensão traseira do tipo swing axle usa uma barra de
tração. Como o nome diz, essa barra será submetida a tração, e neste caso, não
há flexão do terminal. É um caso de uso correto do terminal esférico.
Isso tudo entendido, chega de enrolação. Vamos aos
finalmentes, como fazer o jeito certo.
O primeiro tipo de solução é este aqui, com o uso de um
terminal rotular esférico, mas a rosca para montagem fica no corpo do próprio
terminal
Fig 10: Exemplo certo
desenhado
Você já entendeu o porquê de se
conectar a manga a bandeja de suspensão dessa forma. Neste ponto do texto, isto
TEM que te parecer natural. Se ainda não entendeu, releia o post anterior desta série.
Repare que no exemplo acima ainda temos uma pequena mudança
na fixação da bandeja inferior no chassi. Aqui temos um eixo com buchas ao
invés de um terminal rotular com rosca. O princípio é o mesmo: evitar que o terminal
trabalhe em flexão. A bandeja superior mantém o desenho de uso de terminal
rotular, e eu desenhei assim de propósito, seria a única situação que eu
aceitaria numa competição de Baja ou Fórmula se a equipe tivesse um bom motivo
para fazer assim.
E se você não entendeu porque a fixação da bandeja no chassi
é assim, fica de lição de casa. Vai pensar um pouco e veja que realmente o
projeto é mais refinado desta forma. Estou falando em resistência mecânica, não
entro no mérito se o compliance da bucha de poliuretano com bissulfeto que vai
dentro dessa fixação é melhor que a histerese provocada pelo atrito da esfera
metálica dentro do terminal rotular. Aí é assunto pra outra conversa.
E se você ainda acha
que esta solução não vale a pena, então porque a Kawasaki usa isso nos seus
quadriciclos?
Aí você diz: “Tá, mas
isso é pra carro off-road, meu negócio é pista. As cargas de frenagem altas não
são suficientes para quebrar meu terminal.” Mesmo que isso fosse verdade, olha
a bandeja inferior do Dallara F302 (Fórmula 3, modelo 2002):
Fig 12: Bandeja de
suspensão dianteira inferior de um Dallara F3 (Retirada do manual da Dallara)
E esta é a única solução? E se eu quiser ainda ter um pouco
de ajuste? Bom, aí fica um pouco mais complicado, mas é possível. Só é
necessário usar plaquinhas de ajuste. Esses espaçadores ajudam, mas realmente
fica bem mais limitado. É uma solução mais apropriada para os carros de
fórmula, onde a precisão do ajuste faz enorme diferença. Tem projetos
patenteados, que não posso publicar aqui. Mas o princípio da coisa eu posso:
Fig 13: Método de
ajuste de cambagem.
Dependendo do projeto, dá até pra fazer outros ajustes.
Olha, de novo, o exemplo do Dallara F302, como muda a altura do roll center:
Fig. 14: Regulagem de
altura de roll center, manual do Dallara F302.
Estes são projetos comuns no mercado de competição, e existem
alguns até mais simples do que isso. Tem gente que tem uma manga para cada
geometria, e tem gente que consegue fazer tudo isso com poucas peças, usando as
boas práticas da engenharia.
Espero que vocês tenham entendido o que está errado com os
terminais rotulares em flexão, e o que pode ser feito para se arrumar isso. Bajeiros
e formuleiros agora não tem mais desculpa: se aparecerem na competição com esse
projeto, e sem uma boa justificativa, além de tomar nota baixa na avaliação, vão
aprender um pouco sobre orelha puxada trabalhando em flexão...
Rod End in Bending - Parte 1
Eu tive a ideia de fazer o Telecurso Zé Ruela por causa
deste problema, e este post deveria ser o início da série. Mas como os posts de
pneu já estavam prontos, acabaram entrando primeiro, e esses aqui ficaram na
geladeira por anos Espero desovar mais telecursos meio acabados em breve.
Um terminal rotular trabalhando em flexão é um problema
grave. E mais grave é que pelas fotos das últimas competições estudantis pelo
Brasil, eu pude perceber que a coisa virou uma praga. Todo mundo está fazendo
isso nos seus carros, e como parece ser uma solução elegante, virou meio que
default. E os juízes devem coibir isso. Meu medo é que com os anos isso vire
uma coisa normal, os juízes considerem isso normal, os estudantes se formam e
vêem isso normal, e no dia que eu comprar um carro com isso, vou pessoalmente na
fábrica chamar o engenheiro de burro.
Então vamos pro problema. Me desculpem os desenhos, mas
desde que mudei de trabalho não posso mais usar o Catia, e ficaram somente os
desenhos na mão pra explicar as coisas. Mas melhor isso que nada, certo?
Deixa eu começar pelo começo: há muitos anos atrás, quando
eu ainda participava de uma equipe de MINI BAJA (e olha que faz tempo que o
termo mini baja não é mais usado), enchia o saco do Rato para que ele fizesse
uma suspensão dianteira assim:
Fig. 1 – esquema em
vista explodida de uma suspensão duplo A com erro em aplicação
Era o mundo perfeito: com essa suspensão dava pra ajustar
cáster, câmber, convergência, e até um pouco de ajuste da bitola. Tudo poderia
ser feito simplesmente rosqueando a mais ou a menos alguns terminais. E, atrasado
no curso como sempre fui, não entendia porque ele não fazia essa suspensão.
Me formei, vi que isso era errado, mas confesso que não
entendia direito o tal do REIB, ou Rod
End In Bending. Traduzindo: Terminal rotular em flexão. Então, vou tentar
ajudar a quem também não entende direito isso, pra ver se não acontece mais de
eu encontrar essa praga nas competições.
Pra começar, vamos ver algumas das cargas que passam da
manga para a bandeja. Essas cargas necessariamente passam pelos terminais, já
que são o elo de ligação entre os dois componentes. Nesta figura temos a vista
frontal de uma suspensão dianteira:
Fig. 02: Momento fletor no terminal em vista frontal
Em azul, as cargas que entram vindas do solo, e em verde a
reação do conjunto amortecedor/mola. Repare que mesmo que a reação esteja
alinhada com o ponto de apoio, no terminal rotular ainda há uma flexão (em
vermelho).
Isso foi em vista frontal, uma situação onde é mais crítico
para carros off-road, apesar do desenho ser de um carro de pista. Agora vamos
ver uma vista lateral, que é mais crítica para carros de asfalto (com um
desenho de carro off-road, me perdoem):
Fig. 03: Forças atuantes na manga em vistas lateral e
superior
O que temos aqui são as cargas de frenagem, uma reação da
pinça de freio sobre a manga. Isso gera um binário na manga, cuja reação é
representada pelas setas azul e verde. Quem segura este movimento de girar a
manga (e a pinça de freio) junto com a roda é a bandeja de suspensão. E essa
carga passa pelos terminais rotulares. Na vista superior podemos ver como
ocorre essa flexão do terminal. Pra facilitar, mostrei somente a carga sobre o
terminal superior. Em verde, as cargas da manga, e em vermelho, a flexão.
Certo, e como resolver isso? Vamos ver primeiro a principal
recomendação de como montar um terminal rotular em uma barra:
Fig 04: Boa prática
da instalação da de um terminal rotular.
Reparem que a ponta do terminal está “enterrada” na barra
(ou bucha) em pelo menos uma vez e meia o seu diâmetro. Isso é importante para
que a transferência de carga seja gradual da rosca do terminal para a bucha da
barra. Além disso, temos uma contraporca para manter a posição do terminal.
Essa contraporca é importante, e acreditem, se ela ficar solta, a barra vai
correr. Se o outro lado for uma rosca esquerda, aí pior ainda. Você com certeza
vai perder a regulagem. É incrível como eu pego essas contraporcas soltas em
inspeções, tanto pra SAE como para a CBA.
Aliás, um parêntese aqui. Muito cuidado com o torque
aplicado nessa contraporca. Consultem sempre o manual do fabricante do terminal
sobre o torque a ser aplicado. Torque de menos solta a porca. Torque demais
cria uma tensão extra sobre a rosca do terminal, e com a tração a ser colocada
na barra que já vai trabalhar a peça, pode haver a ruptura.
Vamos ver agora como acontece a quebra. Já vimos antes quais
são as forças fletindo o terminal, então vamos olhar em mais detalhe como o
ocorre a falha:
Fig 05: Terminal
submetido a flexão
Claro que a imagem acima está exagerada. Mas as forças de
flexão tendem a fazer isso. Acontece que a barra que está fletindo é uma rosca,
um concentrador natural de tensão. O resultado é fácil: esforços cíclicos +
concentrador de tensão = Fadiga acelerada. Com o tempo isso vai quebrar. Isso
se não der azar de bater num morro, numa zebra, um esforço a mais vai provocar
quebra imediata.
E o que fazer para evitar isso? Bom, eu posso evitar que o
terminal flexione da maneira que está na figura acima, colocando porcas e
arruelas, para que a barra fique próxima do início da rosca. Assim não vai ter
problema, a maior parte da rosca vai estar apoiada. A figura abaixo dá uma
ideia do que vai acontecer:
Fig. 06: Terminal com
porcas apoiando a barra.
Ué, mas se a rosca está quase toda escondida, protegida,
porque falhou? O que aconteceu? Lembre que o momento de flexão é o mesmo: o
peso do carro não mudou, os pontos de apoio do amortecedor não mudaram, a
geometria da suspensão também não, nem a manga. Portanto, as condições são as
mesmas das figuras 02 e 03. A única coisa que mudou foi a contraporca extra
para dar mais apoio. Antes, você tinha, vamos supor, 12 fios de rosca expostos,
para fletir. A carga de flexão estava distribuída nesses fios. Agora, você tem
6 fios fletindo, e o momento de flexão é o mesmo. Resultado: vai quebrar mais rápido.
Se você tentar “juntar”a contraporca na cabeça do terminal, como no
detalhe da figura acima, para evitar ao máximo o número de fios de rosca expostos,
mesmo assim não vai adiantar. SEMPRE vai ter um fiozinho, uma entrada de rosca
exposta, e é justamente ela que vai quebrar, porque toda a tensão estará nela.
Não, essa solução não serve.
Novamente, o que fazer pra evitar isso? Tá fácil. A resposta
vem na ponta da língua: É só colocar um terminal de diâmetro maior. Com uma
área de seção maior, as tensões serão menores, e poderemos prolongar a vida em
fadiga, certo?
NÃO.
Essa não é uma solução elegante. Aliás, é uma solução bem
tosca, do ponto de vista de engenharia. Não interessa o diâmetro, a rosca
continua lá, concentrando tensão, abrindo a trinca. Na verdade, ao colocar um
terminal maior, você está adiando o problema, não resolvendo. Isso é errado.
Não dá pra implementar essa solução num carro de rua. Ou pior, imaginem como
seria em um caminhão. A manga e suas conexões são componentes críticos, cuja
falha pode levar a sérios acidentes. Não dá pra brincar.
Mesmo se o aumento do diâmetro da rosca fosse uma solução
viável, a pergunta seria: O quanto aumentar o diâmetro? Para um bom fator de
segurança, seria necessário dobrar o diâmetro. Um juiz de design de Fórmula SAE
ficaria muito bravo ao ouvir que a massa suspensa foi aumentada porque a equipe
não sabia como resolver o problema...
Sendo realista, eu até concordo com a fabricação de uma
bandeja com terminais em flexão, para fins de ajuste fino do carro. Você pode
usar o terminal rotular trabalhando em flexão numa bandeja protótipo, e depois
que o carro estiver ajustado, pegar as dimensões da bandeja, os ângulos da
geometria de suspensão, e fabricar a bandeja definitiva. Eu daria um crédito
para a equipe que fizesse isso e me contasse na competição. Seria uma forma
válida de desenvolvimento de produto, o uso dessa bandeja-protótipo. O que não
vale é aparecer na competição com uma bandeja dessa dizendo que é protótipo, e
o carro de produção vai ser diferente.
Acho que nesse ponto já derrubei todos os argumentos para se
usar isso comercialmente. E em uso estudantil também. Lembrem que Baja e FSAE
são carros de recreação, que no projeto devem ser produzidos em massa para
serem VENDIDOS ao mercado de recreação. E mais do que isso, a competição avalia
PROJETOS DE ENGENHARIA.
Até aqui foi explicado o problema, o que está errado. No
próximo post eu explico o que pode ser feito para se livrar do problema de uma
maneira definitiva.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Zé Ruela dando dica na Copa
Eu li isso aqui e não aguentei. Tinha que contar um causo de muitos anos atrás.
Não lembro o ano, e um colega e eu fomos escalados para fazer a pista do enduro do Baja, em Interlagos. Nos deram 2 dias de máquina, e um tratorista cardíaco, que quase bateu as botas no meio da Curva do Sol. Na verdade, quem bateu as botas foram os cabos de fibra ótica da reta oposta, mas isso é assunto pra outro post.
O que interessa é que naquela época, a competição do Baja era 2 semanas antes do GP Brasil de F1. Naquela época, ainda não havia as frescuras de fechar o circuito 3 meses antes pra colocar a instalação no padrão FOM. Então entramos no terreno, ali no meio do mato, pra montar a pista. No final do segundo dia, estávamos com o cronograma meio estourado. Estávamos no trecho final, mas no final da tarde, um helicóptero da Globo ficava nos atrapalhando.
Eu não sei o que ele estava fazendo, se gravava imagens do Paddock, de alguma curva em especial, se analisava interferência de sinal, ou se estudava os ventos pra aproximação do heliponto na curva do Sargento. O fato é que ele estava muito próximo do chão, e com o barulho e o vento, nós não conseguíamos nos falar. Pior ainda seria passar a instrução para o velhote tratorista.
Aquilo realmente estava incomodando. Fomos aos trancos e barrancos finalizando a pista, até que chegamos numa clareira. O colega me chamou para o centro da clareira, e falou comigo: Vou dar um jeito nisso aqui.
Ficamos um tempo ali, no meio do nada observando o Globocop. De repente, quando a aeronave estava bem de frente pra nós, escutei uma praguejada habitual, seguida de um "Quer filmar, filma isso aqui, seus trouxas" (ou algo assim). Olho para o lado, e vejo uma situação comum no Tusca, mas inóspita no meio de Interlagos. A visão do helicóptero deve ter sido mais ou menos assim:
Não sei se o helicóptero conseguiu cumprir a sua missão, ou se se assustou com a visão. O fato é que segundos depois o helicóptero sumiu, e pudemos terminar o trabalho normalmente. Prefiro pensar que foi a segunda opção.
Portanto, uma dica ao Jorge Sampaoli, técnico da Seleção Chilena: Se o helicóptero da Globo voltar a pairar sobre o seu treino, você vai ter 22 motivos para mandar embora o intruso!
Não lembro o ano, e um colega e eu fomos escalados para fazer a pista do enduro do Baja, em Interlagos. Nos deram 2 dias de máquina, e um tratorista cardíaco, que quase bateu as botas no meio da Curva do Sol. Na verdade, quem bateu as botas foram os cabos de fibra ótica da reta oposta, mas isso é assunto pra outro post.
O que interessa é que naquela época, a competição do Baja era 2 semanas antes do GP Brasil de F1. Naquela época, ainda não havia as frescuras de fechar o circuito 3 meses antes pra colocar a instalação no padrão FOM. Então entramos no terreno, ali no meio do mato, pra montar a pista. No final do segundo dia, estávamos com o cronograma meio estourado. Estávamos no trecho final, mas no final da tarde, um helicóptero da Globo ficava nos atrapalhando.
Eu não sei o que ele estava fazendo, se gravava imagens do Paddock, de alguma curva em especial, se analisava interferência de sinal, ou se estudava os ventos pra aproximação do heliponto na curva do Sargento. O fato é que ele estava muito próximo do chão, e com o barulho e o vento, nós não conseguíamos nos falar. Pior ainda seria passar a instrução para o velhote tratorista.
Aquilo realmente estava incomodando. Fomos aos trancos e barrancos finalizando a pista, até que chegamos numa clareira. O colega me chamou para o centro da clareira, e falou comigo: Vou dar um jeito nisso aqui.
Ficamos um tempo ali, no meio do nada observando o Globocop. De repente, quando a aeronave estava bem de frente pra nós, escutei uma praguejada habitual, seguida de um "Quer filmar, filma isso aqui, seus trouxas" (ou algo assim). Olho para o lado, e vejo uma situação comum no Tusca, mas inóspita no meio de Interlagos. A visão do helicóptero deve ter sido mais ou menos assim:
Não sei se o helicóptero conseguiu cumprir a sua missão, ou se se assustou com a visão. O fato é que segundos depois o helicóptero sumiu, e pudemos terminar o trabalho normalmente. Prefiro pensar que foi a segunda opção.
Portanto, uma dica ao Jorge Sampaoli, técnico da Seleção Chilena: Se o helicóptero da Globo voltar a pairar sobre o seu treino, você vai ter 22 motivos para mandar embora o intruso!
domingo, 22 de junho de 2014
Tem boné da Brabham?
Ok, essa aqui era um pedido antigo de alguns editores deste blog, que sempre queriam ir ao GP Brasil usando um boné da Brabham. O diacho é que ninguém conseguiu o logotipo antigo da Brabham, aquele da serpente.
Aí eu consegui, não perguntem como, uma foto do bico da Brabham do Piquet. A coisa ficou guardada pra quando desse fazer o desenho. Mas no mês passado, com a morte de Sir Jack Brabham, voltei com o projeto. Então taí:
Claro, coloquei uma marca d´água do Blog, e é uma versão mais rústica. Deu um trabalhão danado fazer isso e não vou dar de mão beijada pra qualquer um. Se algum Zé Ruela quiser o desenho pra fazer a camiseta ou boné pode pedir que eu mando por e-mail. Taí sugestões de como homenagear o velho Jack (e sacanear os ambulantes) no próximo GP Brasil:
Mas, é claro, antes de fazer, tem que pedir licença de uso de imagem pro Bernie... Ele ganha dinheiro da F1 até com equipe extinta!
Aí eu consegui, não perguntem como, uma foto do bico da Brabham do Piquet. A coisa ficou guardada pra quando desse fazer o desenho. Mas no mês passado, com a morte de Sir Jack Brabham, voltei com o projeto. Então taí:
Claro, coloquei uma marca d´água do Blog, e é uma versão mais rústica. Deu um trabalhão danado fazer isso e não vou dar de mão beijada pra qualquer um. Se algum Zé Ruela quiser o desenho pra fazer a camiseta ou boné pode pedir que eu mando por e-mail. Taí sugestões de como homenagear o velho Jack (e sacanear os ambulantes) no próximo GP Brasil:
Mas, é claro, antes de fazer, tem que pedir licença de uso de imagem pro Bernie... Ele ganha dinheiro da F1 até com equipe extinta!
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